sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PARA SEMPRE ...

Eu tenho medo do pra sempre. O pra sempre é o vilão que insiste em transformar relações que foram felizes em fracasso diante dos olhos alheios. Paro e penso quanto tempo dura o pra sempre. Onde fica esse lugar do qual a gente passa a vida toda falando, a vida toda sonhando. De fato, nunca conheci alguém que tivesse estado lá. O pra sempre tem cara de mentira consciente. A gente sabe que não sabe chegar lá. Tentamos inventar caminhos, usar o GPS, pedir informação. Mas ninguém sabe informar. O pra sempre virou quase expressão automática, que nem o Graças a Deus. A gente fala muitas coisas que não achamos que sejam obra de Deus – não estávamos exatamente agradecendo, mas quando vimos saiu. O pra sempre é assim também. Vou te amar pra sempre. Quero você pra sempre. Sempre que pronuncio uma dessas frases, meu cérebro alerta para a besteira que acabei de dizer. Não seja ridícula, ele afirma. Pra sempre é uma coisa distante demais, longe demais. Porque eu nem sei se vou acordar amanhã. O quadro que enfeita meu quarto, e que só encaixou em cima da minha cama, pode despencar a noite e partir minha cabeça em duas. E comigo, vai-se o pra sempre. Ou eu posso acordar e receber uma ligação sua dizendo que não me ama mais. Que não sabe o que aconteceu. De repente, acha que meu beijo ficou molhado demais. Ou que a forma como falo e mexo no cabelo está te dando nos nervos. E aí vou chorar pitangas no canto, eu e o pra sempre. E, por isso, tenho que dizer que não te amo pra sempre. Te amar pra sempre é pesado demais. É responsabilidade demais. Não sei se aguento o fardo, não sei se dou conta. Não gosto de meias promessas. Mas posso te oferecer o meu amor de hoje, assim como fiz com o amor de ontem. Todos os dias quando acordo, penso que sorte tenho de estar viva. Mais uma noite em que o quadro manteve seu posto de decoração, invés de se tornar um assassino. E penso também em você. E penso, como tenho pensado há algumas centenas de dias, que te amo. Poderia ser diferente. Poderia não amar mais. Mas te amo. E acho que amor seja que nem um carro – precisa de combustível pra funcionar. Se você não abastece, ele te deixa na mão em meio à Marginal às 6 da tarde, enquanto você ia pra aquela reunião importante. E não adianta xingar os quatro cantos, achar que a vida é injusta, que nada dá certo pra você. Você não colocou combustível. Menosprezou as necessidades do carro, assim como menosprezamos as necessidades do amor. Amor precisa de alimento. Não ache que ele dura pra sempre se você não cuidar. Amar dá trabalho mesmo. É que nem cachorro. Dá um trabalho enorme, mas você automaticamente esquece dos xixis no sofá ou do tapete rasgado quando ele te olha nos olhos e te tasca uma lambida. Aí você tem certeza que valeu a pena. A gente combinou que não mentiria para o outro. E eu não posso te dizer que vou te amar pra sempre. Estaria quebrando o contrato. E não quero te ouvir dizer que me quer pra sempre. Não gosto de identificar uma mentira em meio a todo o resto que considero verdadeiro. Quero sim ouvir eu-te-amo. Muitos deles. Mas preciso ter a certeza que cada vez que um eu-te-amo sai da sua boca foi porque, naquele exato momento, você está me amando muito. Porque cada eu-te-amo que solto, vem naqueles momentos em que o amor é tão grande, que não cabe dentro de mim. Não cabe também dentro dos beijos. Nem dos carinhos no seu cabelo. Nem daquela pegada no seu pau. E aí ele pula pra fora, verdadeiro e explosivo. E, nesses momentos em que te amo demais, me dá uma vontade imensa de dizer que te amo pra sempre. Que vou amar pra sempre aquela conchinha gostosa. Que vou amar pra sempre o jeito como você me pega com força e me abraça com seus braços grandes. Que vou amar pra sempre seus conselhos que sempre se provaram coerentes. Que vou amar pra sempre quando você percebe que eu estou sem sono e faz aquele carinho infalível na minha nuca, pra eu pegar no sono com você. Mas me seguro, porque não quero mentir pra mim e nem pra você. Não consigo imaginar o dia em que não mais amarei cada pedacinho seu. Mas a experiência me provou que dessa vida, nada sei. Hoje eu vibro com cada uma dessas coisas que me fazem te amar. E sei que te amo porque você tem a capacidade de fazer cada célula do meu corpo vibrar como ninguém mais conseguiu. Mas não posso te dar o que não possuo – o meu amor futuro. E talvez a incerteza do sentimento – do meu e do seu – seja justamente o combustível do meu amor. Sei que amo hoje. E sei que você não me pertence. Sei que estamos juntos nessa trajetória emocionante da vida porque assim queremos. E que assim seja enquanto as mãos dadas nos fizerem felizes.
(JAQUE BARBOSA- CASAL SEM VERGONHA)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

FIM TAMBÉM É COMEÇO...

Tudo parecia estar perdido, principalmente o amor. O amor se perdeu no meio daquele quintal de desilusões e tentativas fracassadas de se restabelecer. Deixou de ser tocado e usufruído porque a correria dos dias embaça a nossa visão e muitas coisas surgem o tempo todo nos desviando do que realmente importa. Sentia algo esquisito no peito, olhava para as estrelas sem desviar o olhar e o céu parecia um lugar infinitamente mais confortável de se estar. Não era mais falta, nem desejo ou vontade de tentar outra vez – era apenas mágoa. E mágoa, meu caro, é algo completamente destruidor. Aquela descrença no mundo que a gente sente quando já machucou até o último centímetro da própria pele, quando já gastou o que tinha de melhor e depois ficou sem recursos. Era um sopro bruto da razão, do tipo que derruba com violência qualquer ignorante que se julga sábio, mas que buscou por tanto tempo pegadas no mar. Um ceticismo louco impregnado na retina, na boca, na carne e no coração. Era a desistência entrando pelo buraco que ficou aberto causado pela ausência, pela estupidez e pela falta de perdão. Eram tantas coisas flutuando na cabeça e a vontade de separar o corpo e a mente, limpando a sujeira deixada pelos anos de insistência em coisas que não valiam a pena. Naturalmente insistimos em coisas impossíveis e que não merecem tanta dedicação, mas só nos damos conta quando percebemos que abandonamos aquilo que era bom e que estava ao nosso alcance. Naquela noite tudo parecia perdido, sobretudo eu. Perdida no meio daquelas pessoas que exibiam sorrisos falsos e bebidas baratas, mas que eram infinitamente mais felizes e menos românticas do que eu. Não era tristeza, nem desespero – era cansaço. Aquele tipo de sentimento que te faz desejar ter um zíper no próprio corpo e tirar a alma lá de dentro. Não era insanidade, nem desculpa ou falta de noção – era a chegada do fim. Um final daqueles que parece destruir a gente, mas na verdade acontece apenas para juntar finalmente os pedaços que perdemos pelo caminho. Terminar, findar, concluir, finalizar. É apenas a primeira porta para abraçar novas possibilidades, e, levando em conta tudo aquilo que aprendemos ao fechar aquela última, os novos passos obviamente serão dados com mais cuidado e sensibilidade. Naquela noite em que tudo estava perdido, especialmente o amor e eu, aprendi a beleza das coisas que terminam, porque todo fim é também um jeito de começar outra vez, outra coisa, outro sonho e outra vida…
Escrito por | Camila Heloíse Camila Heloíse é Jornalista, editora de web e blogueira. Autora do livro "O amor é o que vem depois" pela Editora Penalux e colunista da Revista Benfazeja.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Eu Volto... Me espera...

Saudade do menino de riso frouxo, de verdade nos olhos, de jeito tímido com um punhado de extravagância. Do meu pequeno que faz da estrada seu sustento e das nuvens sua paixão. Do responsável pela minha inesgotável fonte de inspiração. E quando chove lá fora e aqui dentro anda tão vazio, falta ele a me trazer o arrepio neste dia que se arrasta. Hoje a saudade tem seu sobrenome. É a memória do sentir que insiste em ficar. Quando você voltar meu pequeno, vamos brincar de demorar? Eu volto, me espera...

INSUBSTITUÍVEL!

Não comparo pessoas. Não comparo amores, não comparo amizades. Cada pessoa que passou da minha vida, deixou uma lição, deixou uma história diferente da outra. Veio pra me ensinar alguma coisa, que uma outra pessoa não ensinaria. As pessoas são singulares, são únicas, assim como o que elas trazem por dentro. E isso não permite comparações. Há quem diga que não existem pessoas insubstituíveis, mas ainda não encontrei ninguém que fosse igual a ninguém. Encontramos outras pessoas,que nos fazem felizes de outras formas, mas não exatamente como a outra pessoa nos fez.

CASADA, SOLTEIRA, NAMORANDO ALGUÉM??????

Então, pra que status de relacionamento? Por que as pessoas precisam tanto afirmar que estão namorando? Há tantos casais infelizes que só querem manter as aparências e há outros muitos, completos, que vivem no anonimato. E vivem maravilhosamente bem. O que você quer expor? Pra quem você quer expor? Amigos? Os amigos te ligam pra saber como você está. O que as pessoas tem tanto com sua vida? Não esqueçam o básico: a velha declaração no ouvido, as flores em um dia qualquer, o sorriso espontâneo puro e simplesmente porque a pessoa te faz bem. Hoje em dia é tudo muito "em um relacionamento sério" e só. É isso que te move? É isso que vai te fazer feliz, os outros saberem da sua felicidade? O essencial é invisível aos olhos, principalmente aos olhos alheios. Felicidade é pra ser vivida, não exposta!

Solidão...

"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear. Isso é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isso é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos. Isso é equilíbrio. Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsivamente para que revejamos a nossa vida... Isso é o princípio da natureza. Solidão não é o vazio da gente ao nosso lado. Isso é circunstância. Solidão é muito mais que tudo isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão a nossa alma".
(Chico Buarque)

domingo, 22 de setembro de 2013

É SÓ SAUDADE...

É... MOÇO...

E se a gente se apaixona por algo que nos toma e nos comove, mas não é nosso? Como é que eu posso conviver com esses olhos cafés que causam insônia nas noites agora? E se fica um grito de eu te amo atravessado pela garganta e pelo travesseiro bagunceiro que toda madrugada te chama? E se eu estou te amando e você nunca me amar, como mando o peito parar de escrever tanta poesia com jeito de dia amanhecido, se só e vai sobrar um punhado de escuro e algo esquecido pelos cantos do acaso? É moço, talvez seja descaso do destino e nossos olhares que se encontraram ainda não podem se pertencer. Estamos em jogo onde tudo se movimenta e nada esta sendo inventado. E nossa pontuação de vantagem contra e vantagem a favor, nos deixa também uma interrogação. Somos hoje? somos sim? somos não? No nosso encontro moço, somos empate, somos alguma forma de arte ainda não definida, e tão somente sentida por qualquer coisa que pulsa. É moço, você me ganha, eu te absorvo. E talvez eu nunca tenha lhe dito em alto e bom som, como quem tem o dom de brincar com as palavras o que sinto sem mentiras ou disfarce. Então te digo: casa comigo hoje e amanhã a gente pensa como casar de novo.
(LILIAN VEREZA)

EU AINDA SINTO...

"Estou com saudade! Escrevi só para te dizer isso, sem a intenção de causar a mesma coisa em você. Eu só queria que ao ler isso você soubesse: eu estou com saudade de você. Amanhã vou negar, vou recusar olhar qualquer coisa sua e qualquer coisa nossa. Vou dizer que as músicas que a gente escutava não me trazem seu cheiro e não levam a um abismo de lembranças de como era bom, a dança, o papo, o beijo, a volta ao redor do mundo e o mundo ao redor da gente. Amanhã vou negar, mas hoje não nego – eu estou com saudade. E ando torta por causa disso, e meu estômago dói, meu peito dói e minhas asas estariam doendo também se eu tivesse asas. Meu sono foi esmagado pela vontade de te ouvir contar qualquer história. Minha fome não é de comida. Estou morrendo e sumindo e deixando de existir, porque hoje estou farta de tanta saudade. Amanhã não. Amanhã vou acordar e tomar o meu café da manhã naquela padaria com a alma em paz porque não verei você entrando e meu apetite indo embora. Amanhã vou almoçar tranquila sem você para dizer que eu me alimento mal. Amanhã vou sorrir e respirar aliviada por ter resistido a mais um dia longe da tua presença esmagadora. Mas ainda é hoje, e hoje eu estou com saudade."
(Camila Heloíse)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MULHER, UM SER EXÓTICO.

Falo, rapida e despretensiosamente, sobre dois filósofos importantes, Nietzsche e Kierkegaard, e sobre sua notória incapacidade de encontrar algum prazer com o sexo oposto, apesar de suas mentes brilhantes e de suas contribuições tão importantes para a história do moderno pensamento ocidental. Ambos eram heterossexuais e amaram mulheres, mas não conseguiram jamais transformar essa paixão em felicidade. Nietzsche apaixonou-se por Cósima, mulher linda e inteligente, filha de Lizt e esposa de seu amigo (e mais tarde inimigo) Wagner. Na época (por volta de 1870), Cósima tinha 30 anos, e Wagner, quase 60. Nietzsche, com menos de 30, brilhante professor universitário, e pouco depois autor de livros que revolucionariam a filosofia, freqüentava a casa de Wagner e sonhava em transformar Cósima em sua discípula e sua amante. Nunca conseguiu, talvez por medo, talvez por incapacidade, talvez porque Cósima não simpatizasse com seu bigode. Em 1882, conheceu outra mulher, chamada Lu Von Salomé, uma russa que vivia com seu amigo Paul Rée. Repetiu-se a história. Nietzsche viu em Lu Von Salomé alguém capaz de entendê-lo (nisso estava certo, pois a garota escreveu um belo livro sobre o filósofo) e amá-lo (nisso estava errado: ela sempre preferiu Rée). Nietzsche, desde Humano, demasiado humano (1878) escrevia bastante sobre as mulheres. Seus aforismas sobre o sexo feminino são uma mistura de machismo explícito e tentativas - quase sempre muito engraçadas - de encontrar um "lugar" para a mulher na sociedade considerando suas características tão especiais (e inferiores ao homem, claro). Nietzsche enlouqueceu ao poucos, provavelmente por conta de uma sífilis, e morreu 1900, pobre, sozinho e nunca verdadeiramente amado. A relação de Kierkegaard com as mulheres é mais triste ainda. Ele se apaixonou por uma moça chamada Regine (de Copenhague, como ele) e foi absolutamente correspondido. Ficaram noivos. Tudo se encaminhava para um casamento tradicional. E então Kierkegaard começou a pensar. Pensar demais: se poderia fazer Regine feliz, se o matrimônio era a escolha certa, se ele não se arrependeria mais tarde, etc. Desmanchou o noivado, decidiu dar um tempo em Berlim (onde escreveu Ou isso/ou aquilo) e, quando voltou, Regine estava noiva de outro homem. Kierkegaard amou Regine até a morte e deixou-lhe todos os seus bens. Nunca se interessou seriamente por outra mulher. Enquanto viveu, Kierkegaard experimentou pessoalmente, em doses cavalares, o sentimento de angústia, que descreveu tão profundamente em sua obra. David Lodge, no maravilhoso romance Terapia (em que Kierkegaard é figura de referência importante), cita a seguinte passagem do filósofo dinamarquês: "A coisa mais terrível que pode acontecer a um homem é se tornar ridículo aos seus próprios olhos num assunto de importância crucial, ao descobrir, por exemplo, que a soma e a substância de seu sentimento não passam de pura besteira." É isso aí. Pior que a besteira é ter a noção cristalina, absoluta, completa de besteira. Tanto Nietzsche quanto Kierkegaard eram inteligentíssimos e, com toda a certeza, morreram conscientes da sucessão de erros e burrices que praticaram em relação ao sexo oposto. É interessante lembrar que Nietzsche e Kierkegaard investiram pesadamente contra a tradição metafísica e pregaram a volta do homem ao mundo "real", em vez de procurar verdades ideais e inatingíveis. Para Kierkegaard, a existência é mais importante que a essência, enquanto Nietzsche demoliu a tal "essência" platônica em todos os seus livros, acusando-a de causar ignorância e infelicidade para os seres humanos, construindo uma moral absurda e ilógica. Ora, o que seria de esperar destes dois homens tão "práticos" em relação às mulheres? Que eles não se enredassem nas mesmas teias em que caem quase todos os mortais do sexo masculino, ou que, pelo menos, depois cair, soubessem achar uma saída. Eles não acharam. Essencialmente, o que eles fizeram foi estragar suas vidas sentimentais como dois imbecis. Então, para concluir essas notas, creio que podemos aprender um pouco com estes geniais senhores tão infelizes: em relação às mulheres, é melhor agir mais e pensar menos. Não que o pensamento não tenha lugar importante no mundo sentimental e erótico, mas é melhor colocá-lo em seu devido lugar - subalterno, acessório, complementar. Quando instintos e sentimentos ficam à mercê de raciocínios complicados, pirações intelectuais, conjunções sofisticadas de sistemas filosóficos, só uma coisa é certa: cedo ou tarde, teremos uma infeliz consciência das besteiras cometidas. Acham que não? Perguntem para as mulheres. Tenho certeza que elas confirmarão minha tese. No fundo, é a chuleta no azeite que interessa. Ou não?
TEXTO MARAVILHOSO DE Carlos Gerbase.