Há pessoas que choram por saber que as rosas teem espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos teem rosas! (Machado de Assis)
sábado, 31 de agosto de 2013
The end...
Não te amo mais, queria dizer a ele pela primeira vez, sem esperar que ele sofresse com isso. sempre quis que ele sofresse com o dia em que eu não o amasse mais. mas justamente porque eu não o amo mais, nem quero mais que ele sofra. aliás, não quero mais nada. só ir embora. eu só queria ir embora. então, por que eu simplesmente não ia embora? por que eu continuava obedecendo os comandos do meu ex-dono, sendo que ele não é mais dono nem do meu dedinho do pé que tem a unha mais curta? claro que sobrou um carinho, uma amizade, uma graça. o mesmo que tenho pelo resto da humanidade que julgo digno de alguns minutos do meu tempo. mas tudo aquilo, meu Deus, tudo aquilo que era maior do que eu mesma, maior do que o mundo, que me soterrava, que me transportava pra outra realidade, que fazia meu corpo inteiro doer tanto de tanto sangue inchado que passava por ele, tudo aquilo, nossa, acabou. já era. então, por quê? por que raios eu não ia embora? quero namorar esse homem? não. quero casar, ter filhos, envelhecer ao lado dele? não mais. nunca mais. quero transar com ele, ainda que daquele jeito errado em que minha solidão procura um abraço e a solidão dele procura uma sacanagem? não. nem a pau. quero reviver uma memória pra me sentir viva, emprestar uma alegria pura do passado? não, tô fora de continuar sempre no mesmo lugar, me roubando minhas próprias histórias. quero lamentar a falta de um beijo inteiro, um abraço de verdade, um carinho sem medo e uma atenção entregue sem nenhum egoísmo? não. não quero mais mudar ou fantasiar ninguém. deixa o mundo ser como é. deixa ele ser como ele é. E de novo sinto um medo filho da puta... e é por isso que quando ele, a pessoa que eu amei... pois amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor, me pede pra ficar, eu fico. se alguma química idiota do meu cérebro obedeceu aquela voz por anos, por que haveria de parar de obedecer agora só porque o resto todo do corpo já não sente mais nada? Chega de ser comandada pela parte mais “xucra” e sem alma da minha existência. chega. Quem manda aqui é o mesmo peito que me jogou pra fora daquela cama e daquela situação que sempre só me fez tanto mal e só me levou coisas tão bonitas... não quero mais as minhas repetições seguras e infelizes, ainda que encarar um coração vazio seja mais assustador do que pai bravo, cidades estranhas, as quais eu estou acostumada... e amores eternos que acabam, e como meus amores eternos acabam...
(Pricila Estrela)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário